Um relato sobre os “pesquisadores” David Clarke e Andy Roberts.

1 year ago by in Coluna, Conferência Sci-Fi, Destaque, Divulgação, Ficção Científica, Livros, Ufologia com Jorge Bessa Tagged: , , , , , ,

É impressionante como pessoas que se dizem cientistas ou pesquisadores sérios vez por outra apresentem idéias, que apenas revelam suas crenças pessoais, como sendo estudos sérios de cunho científico. Este é o caso de David Clarke e Andy Roberts, considerados como pesquisadores britânicos que dizem ter descoberto, depois de analisar milhares de relatórios de investigações sobre avistamentos que foram liberadas pelos governos e que anteriormente eram classificados como secretos, que os discos voadores eram um produto da paranóia da Guerra Fria, e não visitantes do espaço exterior.

O estudo da dupla concluiu que nenhuma das provas analisadas apontava para qualquer forma de contato com alienígenas. Ao contrário, a crença generalizada em ÓVNIS, que segundo eles começou em 1950 e durou até os dias de hoje, deve ser vista como um fenômeno social, uma forma de histeria cultural. Clarke diz que começou como um crente em ÓVNIS, mas agora, por alguma razão milagrosa que lhe deu mais inteligência, diz que se tornou um cético e, como fazem muitas pessoas quando trocam de religião, procuram detonar a religião anterior na qual acreditavam.

Demonstrando desconhecer completamente as aparições de ÓVNIS ao longo da história, inclusive nos registros bíblicos, Clarke disse que a mania UFO começou no início da Guerra Fria, quando a nova ameaça de guerra nuclear com a União Soviética pairava sobre o mundo. Foi apenas uma simples querer acreditar em algo lá em cima no céu que poderia vir e resgatar-nos; disse Clarke. É impressionante como alguém que se diz pesquisador sério analise uma questão tão ampla e com milhares de evidências, de uma forma tão simplista, praticamente dizendo que todas as pessoas responsáveis e que gozavam de plena capacidade mental eram apenas histéricos culturais, crentes amedrontados.

Entre esses histéricos amedrontados poderíamos incluir, se seguirmos os argumentos da dupla que realizou o estudo, personalidades que desempenharam altas funções e cargos no governo britânico como o primeiro-ministro Winston Churchill, o homem que liderou a resistência contra as forças nazistas que dominavam a Europa, e que ordenou uma profunda investigação sobre o fenômeno OVNI. Inclui-se também, limitando-nos só a Grã Bretanha, a figura do Lord Mountbatten, tio do príncipe Phillip, o marido da rainha Elizabeth e que foi comandante das tropas aliadas no Sudeste Asiático durante a Segunda Guerra Mundial, e foi também o último vice-rei da Índia até a independência e à divisão da Índia e do Paquistão, em 1948, que tinha uma crença firme nos discos voadores por tê-los visto. Além desses, existem milhares de depoimentos e outras evidências da atividade alienígena na Terra.

 Na década de 1950 a Grã-Bretanha criou um grupo de trabalho para analisar a questão dos discos voadores envolvendo os principais ministros e funcionários do exército. Segundo Clarke, muitos dos primeiros avistamentos de ÓVNIS foram confirmados pelo incipiente sistema de radar da Grã-Bretanha, mas, com a evolução tecnológica dos radares o número de incidentes que apareciam nos radares diminuiu rapidamente para zero. Para ele isso não poderia ser apenas uma coincidência: “Essas primeiras confirmações eram apenas o produto de um sistema de radar primitivo”.

Para Clarke e Roberts, cujas pesquisas foram publicadas em um livro chamado “Out of the Shadows”, a CIA, o Serviço de Inteligência norte-americano, com a possível conivência dos britânicos, descobriram formas de utilizar o receio da população em relação aos OVNIs como uma arma psicológica contra os russos. Alegam ter conhecimentos de que, em documentos secretos de 1952, o então diretor da CIA, Walter Smith, discutiu com outros altos funcionários do governo a idéia de uma exploração ofensiva e defensiva do fenômeno OVNI para fins de guerra psicológica.

Men in Black

Os norte-americanos criaram o Majestic 12, nome código de um comitê que englobava cientistas de alto nível, líderes militares e altos funcionários do governo norte-americano, que investigaram as atividades dos OVNIs, principalmente no chamado Caso Roswell; a partir da década de 1940 até o início dos anos 1990. Esse comitê seria responsável pela divulgação de diversas teorias que visavam a ocultação de diversos fatos relacionados aos OVNIs, utilizando documentos de Inteligência, secreta e aberta, como material para a guerra psicológica e desinformação. A maioria dos documentos liberados ao público eram relatórios sobre avistamentos divulgados pela imprensa estrangeira e dentro da própria CIA, mostrando como aquela Agência tratava os depoimentos públicos relacionados aos OVNIs. Os documentos que se tornaram de domínio público liberados através do  Freedom of Information Act – FOIA seriam apenas peças sem valor.

Para muitos, a fragilidade dos documentos liberados seria uma evidência de que os governos britânico e norte-americano empreenderam um sistemático acobertamento dos avistamentos de OVNIs, especialmente por pilotos militares. Muitos relatórios, que tinham informações importantes foram mantidos em segredo e o pessoal militar proibidos de falar sobre o que viram. Mas, para Clarke, tais ações foram tomadas, não para disfarçar o contato com extraterrestres, mas porque o governo não quer admitir que ele também não poderia explicar a histeria UFO.

A idéia de que relatórios sobre avistamentos de UFO têm sido obra das Agências de Inteligência dos Estados Unidos e da Grã Bretanha – e não verdadeiras aparições de naves espaciais alienígenas – a fim de iludir a comunidade de pesquisa ou ocultar segredos de alta tecnologia, projetos aeroespaciais altamente secretos, é completamente insustentável. Ninguém que se dedica ao estudo das evidências existentes poderia ser tão crédula e acreditar em tal absurdo. Que os governos e suas Agências de Inteligência queiram, por alguma razão, manter segredo sobre realidades mais sensíveis em relação aos OVNIs é aceitável. Mas querer que toda uma comunidade que se dedica ao estudo da ufologia esteja sendo manipulada em suas pesquisas e enganada feito crianças inocentes, só mesmo partindo de cabecinhas bem atrasadinhas, ou aflitas para despontarem nos seus 15 minutos de fama, por pretensamente conseguirem ver aquilo que ninguém conseguiu ver, por mais que isto signifique que eles mesmos são um embuste como pesquisadores.

Brasília, 02 de Agosto de 2016.

Jorge Bessa.

Nestablo Ramos

Designer, roteirista, desenhista de histórias em quadrinhos e, agora, apresentador de programa de rádio! Autor de 11 livros (3 em parceria com amigos), este carioca-brasiliense e amante dos quadrinhos desde criança, está sempre pensando em como transmitir sua mensagem de forma lúdica e espontânea. Alguns de seus livros são adotados por escolas de todo o Brasil.

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